Nos últimos meses, o questionamento acima me cercou. Possuía a certeza que o Carnaval de Uruguaiana traria mais receitas que despesas para O MUNICÍPIO E À POPULAÇÃO LOCAL (superávit), do que o contrário (déficit).

Isto é diferente de dizer que o Carnaval não traz receitas para o Município e populares, nem que não possua um valor intangível culturalmente. Mas que, provavelmente, os custos/despesas sejam maiores que este retorno, gerando um déficit.

Atualmente, creio que nosso carnaval é deficitário (traz mais despesas do que receitas), e trarei pequenos pontos e sugestões:

 

PRINCIPAIS RECEITAS

Nos últimos anos, nossas principais receitas são de vínculo público, direta ou indiretamente, dependendo da gestão do ano em especulação. Neste ano, ela deve girar em torno de R$ 1,3 milhões. Ademais, as principais receitas devem vir de ingressos mas que será compartilhada com a produtora, provavelmente. Além disso, possíveis aportes de publicidade.

Para a econômia local, gera um retorno elevado em hotelaria, restaurantes e Free Shops. Demais serviços e comércio podem ter uma breve elevação, mas nada espetacular. Frisa-se a perda econômica para os comerciantes e prestadores de serviço que são afetados pela infra-estrutura da Pres. Vargas.

 

MAIORES DESPESAS

Não tive acesso a prestação de contas de 2025, mas por conhecimento próprio e relatos de próximos, creio que as seguintes despesas sejam as que mais afetam nosso Carnaval:

  • Infra-estrutura: provavalmente o maior custo direto do Carnaval com necessidade de contratação de empresa de fora de Uruguaiana, que traz funcionários próprios para sua instalação e retirada, além de prejudicar a circulação de veículos no centro da cidade;

  • Som: também é feita contratação de empresa de fora da cidade, com funcionários próprios;

  • Importação de alegorias e fantasias: atualmente, creio que todas escolas importam suas esculturas, alegorias, fantasias de fora da cidade. Este custo multiplicado por 6 agremiações gera um grande valor que NÃO FICARÁ em Uruguaiana. Apesar dos bens poderem ser revendidos, não será pelo mesmo valor de aquisição;

  • Importação de demais profissionais: apesar de não ser tão elevado quanto o custo acima, os principais quesitos são importados, sendo que a maior parte deste valor monetário não ficará e não circularará no Município.

 

POSSÍVEIS SOLUÇÕES

Para não ficar apenas em críticas, trago algumas sugestões para o Carnaval de Uruguaiana ser mais sustentável a longo prazo:

  • Infra-estrutura: necessidade de construção de um sambódromo, que poderá ser utilizado em desfile cívico, gaúcho e possíveis eventos. Apesar de ter o custo da manutenção, não seria tão elevado quanto uma estrutura móvel. Além que o custo de manutenção seria coberto pela economia local. Redução da pista de desfiles.

  • Som: difícil ter uma resolução a curto prazo, já que a avenida possui uma capacidade sonora muito custosa e com elevado grau de investimento em equipamentos. Uma redução da pista de desfiles poderia colaborar com a integração de uma empresa local.

  • De forma gradual, tornar o Carnaval de Uruguaiana novamente inédito, exclusivo e com confecção local. Sim, o Carnaval ficaria mais "feio", mas não há como sempre importar arte de fora. Criação de escolas técnicas e cursos para capacitar novos profissionais (adericistas, eletricistas, artesãos, marceneiros, costureiros,  etc), gerando maior número de empregos, fazendo com que o valor da renda fique em Uruguaiana e circule em nossa economia, também possibilitando a criação de novos talentos;

  • Ao fim do momento gradual de exclusividade de uso de profissionais de Uruguaiana, também começar a obrigar profissionais de demais quesitos (casal e intérprete) locais da cidade, ou que se crie uma cultura de valorização com auxílio das escolas, ASESGRU, etc.

  • Divulgar o Carnaval de Uruguaiana em uma emissora de porte nacional (TV Brasil, TVE RS, etc), para uma transmissão profissional e sem quedas de qualidade/sinal. Todos eventos culturais, de pequeno, médio ou grande porte, possuem transmissões de qualidade no mínimo razoável atualmente. Ao contrário dos que muito pensam, a transmissão só ajudaria a criar curiosidade e trazer turistas de fora, gerando mais renda, empregos, etc. Veja-se Parintins, que fica num local dificílimo de chegar, e é um sucesso de transmissão e público, com artistas locais.

 

Não fiquem brabos, para resolvermos os problemas precisamos tocar nas feridas expostas já há alguns anos.